Também nas Escrituras encontra-se a resposta. São Paulo escreve para um rebanho que ele havia instruído na Fé: “Ainda que alguém, nós ou um anjo do céu, vos anunciasse um evangelho diferente daquele que nós temos ensinado a vocês, que seja anátema”. E o ponto é tão importante que ele imediatamente o repete: “Repito aqui o que acabo de dizer: se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que vocês têm recebido, que seja anátema” (Gl 1, 8-9).
Mas um gálata poderia ter objetado: por que nós deveríamos acreditar no Evangelho de sua primeira visita à Galácia e não em um eventualmente diferente em uma segunda visita? São Paulo dá imediatamente uma primeira razão: “O Evangelho que foi anunciado por mim não é de homem. Pois não o recebi e nem o aprendi de nenhum homem, mas por revelação de Jesus Cristo” (Gl 1, 11-12). E São Paulo confirma isto narrando o pouco contato que teve com aqueles que poderiam tê-lo ensinado – os outros Apóstolos – antes de começar a pregar (1, 15-19), um fato obviamente verificável pelos próprios gálatas, e jura a estes que não está mentindo (1, 20). Uma segunda razão ele dá um pouco depois, que são os milagres e experiências do Espírito Santo (3, 2-5) que os próprios gálatas testemunharam como o resultado direto da pregação de Paulo em sua primeira visita.
Assim São Paulo prova que Deus o ensinou o Evangelho daquela primeira visita e o confirmou aos gálatas, e que estes seriam não apenas capazes, mas também obrigados a discernir para eles mesmos, caso desejassem salvar suas almas, a contradição entre esse Evangelho e qualquer outro diferente. E não importa se (1, 8) o anunciante do evangelho diferente seria um anjo ou o próprio Paulo – ou um Papa! – os gálatas continuariam a ter o dever absoluto de permanecer com o primeiro Evangelho de Paulo. A verdade que tinha sido definida perante eles (3, 1), os gálatas reconheceram e aceitaram (3, 3), exatamente como alguém reconhece que dois e dois são quatro, e assim ela teria prioridade sobre qualquer ensinamento que eventualmente a contradiga, sobre qualquer autoridade para ensinar que este aparentemente tenha (1, 9).
Assim Monsenhor Lefebvre costumava dizer que para os 19 séculos entre São Paulo e o Vaticano II, a Igreja tem pregado exatamente o mesmo Evangelho, vindo de Deus e frequentemente confirmado por Ele. Esse Evangelho é, tal como Deus o revelou, a Revelação; tal como transmitido pelos homens da Igreja, a Tradição; tal como ensinado com autoridade pela Igreja, seu Magistério Ordinário e Extraordinário. Entre esse Evangelho e o Vaticano II a contradição é óbvia, então nós devemos aceitar e crer na Tradição, se nós desejamos salvar nossas almas, sejam o que for que as aparentes autoridades da Igreja possam dizer de contrário. Por isso, Deus nos acuda. Como então pode a própria Fraternidade de Dom Lefebvre, a FSSPX, estar oficialmente buscando reconciliação com as autoridades do Vaticano II?
Kyrie eleison.