1) As discussões doutrinais que presentemente tomam lugar a cada dois meses, entre quatro teólogos de Roma e um bispo e três sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, não se mostram fáceis. 2) O problema principal é o conceito de tradição. “Desejamos uma tradição viva ou petrificada?” Perguntou o Cardeal. 3) Ele disse que é favorável ao diálogo com a FSSPX, mas este se deve fazer sob as condições de Roma e não sob as da FSSPX. 4) Se se chegar a um acordo, a FSSPX terá de fazer concessões, e deverá aceitar as reformas conciliares. 5) Sem um acordo, a FSSPX não terá status oficial, seus sacerdotes não serão reconhecidos como sacerdotes católicos, nem serão autorizados a exercer seu ministério.
(1) É óbvio que não se mostra fácil conciliar 2+2=4 (Tradição e FSSPX) e 2+2=4 ou 5 (Vaticano II e Roma conciliar). Tem-se a presença de duas concepções profundamente diferentes de aritmética, e igualmente de duas concepções profundamente diferentes de Verdade Católica.
(2) 2+2=4 é a verdade, imóvel e imutável, portanto “tradicional”. 2+2=4 ou 5 é uma nova aritmética, “viva” conforme o gosto de cada um, porém absolutamente irreal e, logo, irremediavelmente não tradicional.
(3) Se alguém quer discutir sobre a verdadeira aritmética, deve fazê-lo nos termos da verdadeira aritmética e não nos termos de uma e de outra das partes da discussão, e ainda que uma delas os toma como fundamento de sua posição.
(4) Quem quer ou precisa chegar a um acordo sobre que 2+2=4 ou 5 (Vaticano II)? Somente os vendedores de fantasias que não ligam mais para a verdadeira aritmética.
(5) Se “status oficial”, “reconhecimento como sacerdotes” e “ter permissão para o ministério” dependem de aceitar que 2+2 possa ser 4 ou 5, então esse “status”, “reconhecimento” e “permissão” devem ser comprados a preço da Verdade. Contudo, se vendo a Verdade, como posso continuar a comunicá-la? E se não posso mais comunicá-la, que tipo de sacerdote posso ser, e com que tipo de ministério?
Dessa forma, em conclusão, não é só a “tradição” senão a própria natureza da verdade que mantém separados os romanos e a FSSPX. Tendo mudado a verdade, os romanos perderam a Verdade. De fato, eles estão, ao menos objetivamente falando, matando-a, como o “sono assassinado” de Macbeth. No mesmo artigo de Reuters, o Papa é mencionado por ter dito, sobre o problema da FSSPX, que este “tira-lhe o sono”.
Santo Padre, acredite que a Verdade está muito acima da FSSPX, que não é nada mais que um de seus poucos defensores pelo momento. Todos nós da FSSPX desejamos-lhe tudo de bom, especialmente bom sono. Não é a FSSPX, e sim a Verdade assassinada que o mantém acordado de noite.
Kyrie eleison.